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Artigo: DAS NOVE ÀS DEZ

DAS NOVE ÀS DEZ

O que separa o profissional do estereótipo é uma hora.

Reunião das nove. Varanda das dez. A reunião não sabe da varanda. E nem precisa saber.

Existe uma habilidade que o adulto que usa maconha aprende sozinho: dosar quando contar, quando não contar, e pra quem. Não é vergonha, é estratégia. O Brasil descriminalizou o uso pessoal em 2024, mas o julgamento social ainda não recebeu o comunicado. A lei muda mais rápido que o almoço de domingo.

O profissional que lidera time, fecha negócio, paga boleto e queima um no fim do dia precisa de roupa que entenda essa dupla vida. Não duas roupas, uma. Roupa que vai pra reunião sem parecer "roupa de reunião". Roupa que vai pra varanda sem parecer "roupa de varanda". Peça que circula nos dois lados sem precisar trocar identidade.

Esse é o trabalho silencioso da peça bem feita: ela transita sem chamar atenção. Não grita "corporativo". Não grita "maconheiro". Não grita nada. Resolve o problema sem virar parte dele.

Boa peça é discreta sobre quem você é fora dela.

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